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A Inteligência Artificial está a gerar valor em todos os setores em Portugal

Eduardo Antunes

Eduardo Antunes

Public Sector Lead Microsoft Portugal

Tempo de leitura, 8 min.

Então, porque é que apenas 5% do setor público está a considerar esse valor significativo?

Reduzir custos, aumentar a eficiência e criar mais valor são preocupações constantes de empresas de todos os tipos e tamanhos no setor público e privado em Portugal. Nos últimos anos, inovações como a computação na cloud e a inteligência artificial (IA) têm sido fundamentais para ajudar as empresas a melhorar os seus produtos e serviços, bem como na geração de maior eficiência.

Em abril de 2018, a Comissão Europeia adotou a sua primeira estratégia de IA focada no aumento de investimentos para tornar a informação mais acessível, promover o talento e gerar maior confiança.

Contudo, um estudo que conduzimos com a Ernst & Young (EY) no início do ano sugere que as organizações do setor público em Portugal estão a sentir dificuldades no que se refere a tirar maior proveito de tecnologias como a IA. Há uma falta de interesse do setor público em adotar e usar a IA. Mais de metade (54%) das organizações do setor público em Portugal refere que já implementou soluções de IA na sua organização. No entanto, apenas 5% revelou estar a ver um aumento de valor significativo no serviço prestado aos cidadãos. São diversas as razões pelas quais as organizações do setor público em Portugal estão a sentir dificuldades em atingir um patamar onde a IA possa gerar resultados tangíveis.

O recurso à IA nunca foi tão importante para o setor público como agora, numa altura em que trabalhamos coletivamente para lidar com o enorme impacto da pandemia, tentando manter o distanciamento físico obrigatório nos serviços essenciais, ao mesmo tempo que a nova realidade do trabalho remoto afeta muitos funcionários públicos e cidadãos. Por exemplo, durante o pico da pandemia, o Instituto da Segurança Social foi inundado por pedidos relacionados com apoios sociais. Para acompanhar o ritmo e garantir que os cidadãos recebiam as informações de que precisavam, a organização implementou um assistente virtual equipado com IA para ligar as pessoas aos recursos apropriados. Isto melhorou a primeira linha de serviços e permitiu que as equipas pudessem ajudar ainda mais pessoas.

Cada ramo do setor público enfrentará os seus próprios desafios, que são específicos para a escala da sua operação e dos serviços que oferece, mas existem alguns princípios universais aplicáveis a todas as organizações.

Tornar a IA numa prioridade para as chefias de topo.

Os estudos mostram que as organizações mais bem sucedidas têm líderes que estão ativamente envolvidos no planeamento, implementação e avaliação de iniciativas de IA. Isto deve-se ao facto de o desbloqueio de todo o potencial da IA requerer um compromisso: não se trata só de trabalhar melhor, mas de trabalhar de uma forma diferente.

Sim, a IA oferece às organizações a oportunidade de beneficiar do aumento da eficiência operacional, pois as ferramentas apoiadas pela IA podem ajudar a lidar com tarefas simples ou repetitivas. No entanto, a mais valia ocorre quando a IA é usada para inovar e melhorar os serviços essenciais e as experiências dos cidadãos. E quando é usada para apoiar e não para substituir as pessoas.

Por exemplo, o Hospital Universitário CHUSJ lançou uma iniciativa que usa a IA para analisar dados clínicos anónimos de pacientes com cancro e doenças cardiovasculares. Os dados gerados estão a ajudar a moldar as decisões de saúde pública relacionados com a medicina de precisão para doenças oncológicas e cardiovasculares. A tecnologia não está a substituir os médicos, mas sim a apoiá-los para garantir que os pacientes recebam o melhor tratamento. Contudo, isto exige que todas as pessoas do setor de saúde usem os dados de maneira diferente no que diz respeito à tomada de decisões. No fundo, é uma questão de impulsionar uma mudança cultural e não apenas a introdução de uma tecnologia. Como tal, o envolvimento ativo da liderança de topo é essencial.

A questão do envolvimento ativo da liderança de topo na implementação da IA é especialmente desafiadora para as organizações do setor público português: apenas 25% dos entrevistados veem elevados níveis de compromisso da esfera política e das direções administrativas.

Na maioria dos casos, qualquer inércia costuma ser superada rapidamente assim que os líderes experimentam a IA diretamente e veem como ela pode apoiar e ampliar as suas funções. Isso constitui um poderoso impulso para que a tecnologia seja rapidamente integrada e os seus benefícios disseminados por toda a organização.

A importância da justiça, transparência e inclusão

Quando se trata de usar algoritmos e conjuntos de dados, há muitas considerações significativas relacionadas com a justiça, privacidade, segurança e transparência. Por exemplo, um hospital pode usar IA para ajudar a formular um plano de tratamento personalizado para um paciente? Um órgão governamental pode estar a usar a tecnologia para ajudar a identificar cidadãos em risco, que poderão beneficiar de um serviço social específico? A importância destas decisões não pode simplesmente ser medida. A aplicação justa e ética de um algoritmo é, portanto, de extrema importância para garantir que todas as pessoas sejam tratadas igualmente.

Para qualquer entidade – seja um órgão governamental local, um hospital ou uma instituição educacional – construir e manter a confiança é absolutamente crítico para garantir que tanto os colaboradores como os cidadãos se sintam confortáveis a trabalhar com a IA.

Estabelecer orientações claras e processos transparentes é uma etapa importante. Para responder ao problema, a Microsoft desenvolveu orientações sobre o design e o uso de IA responsável, que podem ser encontradas aqui.

Além disso, é importante não esquecer que os sistemas de IA são apenas tão bons quanto os dados que lhes são fornecidos. Esta otimização pode exigir algum trabalho extra das equipas de IT e das diversas áreas de negócio para reunir as informações certas e para informar melhor os sistemas. Mas, uma vez mais, também isto requer uma grande mudança cultural para que as pessoas passem a entender o poder dos dados e o seu papel ao trabalhar com eles. Todas as funções de relevo dentro de uma organização devem ser treinadas para compreender e avaliar o seu dever de lidar com os dados de maneira responsável e ética.

Foco nas qualificações

O estudo revelou que as empresas e as organizações que estão a liderar o uso de IA colocam tanta ênfase no desenvolvimento das habilidades do seu pessoal como na própria tecnologia. Como seria de esperar na era da IA, as qualificações exigentes da ciência de dados e de engenharia estão cada vez mais exigentes. Mas, quando se consideram as atividades que a IA não pode fazer, como a criatividade, a empatia e a resolução de problemas, fica claro que há uma vasta lista de competências pessoais, que se estão a tornar cada vez mais valiosas. Negociação, gestão, liderança e comunicação são ótimos exemplos.

Entre os entrevistados por toda a Europa Ocidental, apenas 11% indicaram que a sua organização tinha a combinação certa de habilidades relacionadas com a IA. Claramente, é um desafio, tal como acontece no setor privado.

Felizmente, existe já uma enorme variedade de cursos gratuitos e conteúdo educacional disponível online, dos quais a Microsoft’s AI Business School é um ótimo exemplo. Este conteúdo inclui um plano de aprendizagem desenhado especificamente para o setor público.

Esta é a grande oportunidade para promover a requalificação. Não só ajuda a manter o reconhecimento institucional, que é tão vital para muitas organizações do setor público, como também constitui uma excelente oportunidade para reforçar o envolvimento dos colaboradores. Os programas de requalificação oferecem uma oportunidade imperdível para os colaboradores trabalharem com as suas chefias e ajudarem a moldar os seus próprios planos de carreira exclusivos, o que claramente contribui para promover a retenção de talentos.

É importante não esquecer que, para garantir que as organizações tenham as habilidades de que precisam e onde precisam, é fundamental criar uma cultura de aprendizagem; onde a qualificação não é definida apenas por cursos, mas por incutir o valor da aprendizagem como um caminho para melhorar o impacto, a flexibilidade e a reinvenção.

A IA tem o poder de transformar, mas não só por si. O sucesso não se refere apenas às pessoas, cultura e liderança, mas também à tecnologia. Para que a IA ofereça todo o seu potencial, tem de existir esforço humano.

AI Public Sector Report

Saiba mais sobre como a IA está a ser utilizada em organizações do setor público português no nosso relatório "Artificial Intelligence in the Public Sector: European Outlook for 2020 and Beyond"

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