Inteligência Artificial na banca: não é um negócio de risco

Luís Silva
Tempo de leitura, 5 min.  

Perdeu a noção do tempo enquanto olhava fixamente para uma parede, na sua agência bancária, e aguardava ansiosamente por uma atualização sobre o estado do seu pedido de empréstimo.

Esta é uma situação que acontece a muitos europeus, à medida que a sociedade moderna continua a recorrer ao crédito. Contudo, cerca de 37 milhões de europeus não têm acesso a crédito responsável. Pelo contrário, dependem de meios informais de gestão de dinheiro, que incluem trabalhar com dinheiro, lidar com casas de penhoras e recorrer a agiotas para conseguir empréstimos a curto prazo com elevadas taxas de juro.

Ao mesmo tempo, os bancos europeus estão a ser pressionados para reduzir as taxas de juro sobre os empréstimos depois de o Banco Central Europeu descobrir que as instituições tinham crédito mal parado no valor de 850 mil milhões de euros. Isto quer dizer que, mesmo que os europeus procurem vias mais formais, o acesso ao crédito ou a outros tipos de serviços financeiros continua a ser difícil, já que os bancos continuam a tornar-se cada vez mais rigorosos.

Então, como é que o setor financeiro europeu poderá dar resposta às necessidades de crédito dos consumidores de forma responsável, continuando ao mesmo tempo a aumentar as fontes de receita num ambiente que é cada vez mais adverso ao risco? Para as principais instituições, a inteligência artificial (IA) e a aprendizagem automática parecem constituir armas secretas, permitindo aos inovadores financeiros personalizar os produtos e os serviços para os clientes que procuram assumir o controlo do seu futuro financeiro.

A AdviceRobo, uma das principais empresas de tecnologias financeiras na Europa, está a transformar o modelo tradicional de avaliação de risco com um novo sistema psicográfico de pontuação de crédito.

Em parceria com a Microsoft, a solução de marca branca tira partido dos grandes volumes de dados e da IA para ajudar os bancos europeus a avaliar o risco e a credibilidade de um novo cliente, bem como a respetiva “disponibilidade” para pagar os empréstimos.

Através da resposta a uma série de perguntas online, que vão desde os hábitos de consumo a raciocínio conceptual, a entidade credora recebe de imediato uma pontuação baseada num sistema atualizado continuamente. A pontuação é enviada através de uma API para a entidade financeira, que pode assim tomar uma decisão informada quanto à concessão do crédito ou não. Ao analisar os grandes volumes de dados, as instituições financeiras que utilizam a plataforma de IA da AdviceRobo relataram que a taxa de aceitação de bons empréstimos aumenta em cerca de 20%.

Mas não é só: a nova análise possibilita às instituições financeiras a monitorização contínua dos empréstimos quanto a riscos ou anomalias. Através da aprendizagem automática, a AdviceRobo pode fornecer estratégias personalizadas aos clientes para ajudar a evitar execuções hipotecárias e clientes incumpridores, protegendo-as do consumo excessivo de crédito. Ao aconselhar preventivamente aqueles com empréstimos de maior risco, os bancos estão a reduzir o número de empréstimos em incumprimento e a diminuir a taxa de incumprimento em 38%.

“A concessão de crédito é, por natureza, um negócio de risco. Ao aplicar IA às nossas perspetivas psicométricas exclusivas, nós reduzimos o risco logo à nascença. Quer seja para trabalhadores independentes, start-ups ou para a geração ‘millennials’, ajudamos a aliviar os clientes com pouco historial de crédito do stress financeiro, impulsionando ao mesmo tempo o retorno sobre o investimento para as instituições financeiras,” afirma Diederick van Thiel, diretor-executivo da AdviceRobo.

Mas mitigar os riscos e dar acesso ao crédito responsável é apenas uma das peças do puzzle. Os consumidores têm igualmente de confiar nos sistemas financeiros e de se sentir capacitados para usar o crédito tomando decisões de investimento informadas e, consequentemente, assumindo o controlo da sua segurança financeira.

Enquanto a Europa continua com taxas de juro relativamente baixas e de baixa volatilidade, a Cognitive Scale e a Bridgeweave preparam-se para lançar uma solução de IA, que se espera vir a democratizar a negociação de títulos ao fornecer perspetivas de investimento aos cidadãos europeus, que pretendam participar no mercado de ações. A colaboração proporcionará a pessoas de todas as camadas sociais a capacidade de tomarem decisões de investimento mais informadas, ao partilhar tanto informações necessárias como informações personalizadas, para que consigam capitalizar de forma eficaz a sua necessidade de obtenção de crédito.

“Não há dois investidores iguais e, no entanto, algumas estruturas de gestão de ativos continuam a agrupar os clientes com base em classificações rígidas, generalistas e impessoais,” diz Akshaya Bhargava, fundador da Bridgeweave. “Apesar das diferenças significativas no seu apetite pelo risco, muitos clientes são colocados no mesmo segmento, assignados ao mesmo gestor e recebem as mesmas opiniões e conselhos. Mas agora, através da IA, conseguimos segmentar os investidores de forma mais precisa e fornecer perspetivas personalizadas de elevada qualidade, que antes não estavam acessíveis.”

Ao tirar partido de tecnologias como a aprendizagem automática, a ciência cognitiva, os grandes volumes de dados e a IA, as empresas de tecnologia financeira (FinTech) por toda a Europa estão a trabalhar para criar produtos e serviços que cumpram as normas institucionais, forneçam conselhos responsáveis a custo acessível e recriem a confiança dos consumidores na transparência das instituições financeiras.

É surpreendente pensar na forma como o crédito está interligado com os nossos sonhos. Sem empréstimos universitários, não há licenciaturas. Sem cartão de crédito, não há viagens. Sem historial de crédito, não há hipoteca. E para cada um destes objetivos e ambições, o setor financeiro europeu está a investir e a inovar nos tipos de tecnologia, que nos ajudarão a obter financiamento e a dar crédito quando ele for preciso.

 

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